Ao contrário do que muitos jovens podem pensar, os adultos mais velhos continuam fazendo sexo – e, segundo pesquisas recentes,  bastante!

Para quem já tem alguma idade, isso não é novidade. A vida sexual deles está indo muito bem, obrigado, por conta dos muitos anos de experiência.  Suspeita-se que os jovens, depois de fazerem sexo, acham muito feia a ideia de que vovô e vovó também o façam, e  ficariam aliviados por saberem que suas vidas sexuais não precisam estar trancadas em gavetas.

Novas pesquisas feitas pela Universidade de Manchester descobriram que pessoas de 70 ou 80 anos estão satisfeitas com o sexo que praticam e não têm vergonha de falar sobre isso. Apenas 3% dos sete mil pesquisados se recusaram a falar da vida sexual.

Mais alguns números: 30% dos homens e 20% das mulheres de 70 e 80 contaram que ainda davam beijos, abraços e faziam outras folias na companhia dos parceiros; 54% dos homens e 31% de mulheres com mais de 70 anos disseram ter vida sexual ativa. Um terço destes garantiram fazer sexo pelo menos duas vezes por mês.

Tais dados complementam um estudo anterior do The New England Journal of Medicine que entrevistou 3.005 homens e mulheres com idades entre 57 e 85 anos, moradores no país, sobre a vida sexual deles.

Descobriu-se que a maior parte dos idosos casados, que mantinham intimidade com a parceira, permanecia bem sexualmente ativa com mais de 80 anos. Geralmente, a atividade sexual tende a declinar com a idade, mas um número significativo de homens e mulheres relataram a prática de intercurso, sexo oral e masturbação depois dos 80 e mesmo dos 90.

Outros números da pesquisa.

  • Mais da metade dos que tinham 57 a 75 anos, e um terço dos de 75 a 85 anos revelaram trocas de sexo oral.
    • 52% dos homens e 25% das mulheres disseram que se masturbavam, independentemente de terem ou não parceiros.

Essas estatísticas dão esperança de um futuro promissor, mas por que mais gente deixa de aproveitar a prática de ótimo sexo na velhice? A pesquisa mostra que muitos idosos simplesmente não ligam mais para isso.

Mulheres, mais que homens, relatam falta de desejo como razão principal para não buscarem sexo. Ainda, os pesquisadores concluíram que quando o casal para de fazer sexo é porque a pouca saúde do parceiro masculino cria a dificuldade.

Metade dos adultos que integraram o estudo disse que pelo menos um problema sexual estava fazendo decrescer as práticas sexuais. Para os homens, isso dizia respeito à disfunção erétil, orgasmos muito rápidos ou dificuldade de ejacular e ansiedade diante da performance sexual. Mulheres referiram pouco interesse em sexo, falta de lubrificação, dificuldade de chegar ao clímax e dor. Quanto pior a saúde do idoso, mais problemas ele vai alegar.

Falando de sexo    Pesquisas como as mencionadas acima ajudam a suprir informações imprecisas e estereótipos potencialmente perigosos  sobre a vida sexual dos idosos.  Em diversas partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos, o sexo de adultos mais velhos ainda constitui um assunto tabu e, muitas vezes. tratado como algo ridículo. Por isso muitos idosos têm pudor em falar sobre isso com amigos e familiares, e mesmo com parceiros e médicos.

Apenas 38% dos homens e 22% das mulheres afirmam ter discutido sobre sexo com médicos depois dos 50 anos. Trata-se de um erro grave porque muitos dos problemas sexuais que mencionam são de ordem prática e de fácil solução, com o uso de lubrificantes e cremes.

 

Fazer ou perder Então, “fazer ou perder” é a palavra de ordem quando o assunto é saúde sexual. É mais fácil manter a prática sexual em dia do que procurar ressuscitá-la depois que o interesse se foi. A expressão, cunhada pela ginecologista Janet Gibbens, significa que o sexo feito regularmente melhora o fluxo sanguíneo e o oxigênio para a vagina e o pênis, traz saúde para os órgãos sexuais, melhora a lubrificação e a elasticidade, especialmente para as mulheres. E que o sexo sem intercurso também é benéfico.

Segurança no prazer   Os médicos também recomendam que adultos mais velhos – especialmente os que, por várias razões, passam a ter encontros – façam sexo seguro como norma de comportamento. A obstetra e ginecologista Heather Weldon adverte seus pacientes de que as doenças sexualmente transmissíveis não escolhem as vítimas. Ela tem diagnosticado diversos casos de infecções, do HIV, herpes, clamídia e outras em mulheres que, por terem já ultrapassado a menopausa, pensaram que já não precisavam de camisinha. Para toda a gente que pratica sexo, camisinha e conversas sérias antes são indispensáveis.

Portanto, se você ainda não teve uma conversa séria sobre sexo com amigos, parceiro(a) ou médico mais recentemente, a hora é esta. Não importa se você está praticando sexo ou deseja fazê-lo ou, ainda, se se satisfaz sozinho (a) ou nem quer saber disso, é importante trocar informações e preocupações. Isto te ajudará a compreender melhor o que é o sexo na idade madura e ensinará as gerações mais novas a buscarem com antecedência uma vida sexual saudável – para toda a vida.