Trabalho senior: será verdade?

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A Folha de S. Paulo publicou, na edição de 9 de fevereiro, matéria assinada pelo repórter Pedro Soares, da sucursal do Rio, segundo a qual o emprego para os mais velhos foi o que mais cresceu no país em 2013.
Segundo o jornal, “aqueles com mais de 60 anos que procuram emprego encontram facilmente”. E que “o total de pessoas ocupadas nesse grupo etário cresceu 6,8% entre o segundo trimestre de 2012 e o mesmo período de 2013. Foi, de longe – escreve a Folha –, a faixa etária que mais avançou: mais de cinco vezes a média (de 1,1% para as outras faixas)”.
Bem, não há como contestar as estatísticas apresentadas pelo PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do Ministério do Trabalho, e citadas pelo jornal. Os motivos para um crescimento tão positivo seriam três: o envelhecimento da mão de obra, a procura por pessoal mais qualificado e experiente e as regras para aposentadoria, que penalizam quem para de trabalhar mais cedo.
Ainda assim, no mesmo período, o contingente de trabalhadores com mais de 60 anos, que representavam antes apenas 21,9% da força de trabalho nacional, avançou para meros 22,3% — índice que, convenhamos, é ainda muito baixo diante do tão propalado envelhecimento da mão de obra do país.
A matéria também não informa que tipo de postos de trabalho foram preenchidos pelos sessentões, mas pode-se imaginar que foram os menos qualificados e com os menores salários – bem na contramão da alegada procura por trabalhadores mais qualificados e experientes, que certamente continuam a encontrar grande dificuldade em furar o bloqueio das empresas.
Estas têm discurso “politicamente correto” para uso institucional, segundo o qual o adulto de mais idade é valorizado por seu conhecimento e responsabilidade, mas,no dia a dia, descartam liminarmente os mesmos candidatos que, segundo a matéria, encontrariam “facilmente” um novo emprego.

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O Dr. Julio Abramczyk revelou em sua coluna publicada na Folha de S. Paulo que testes afirmam não haver diferença de desempenho entre trabalhadores com 50 anos e mais e outros trabalhadores abaixo dessa idade. “A dificuldade para conseguir emprego aos 50 ou mais anos de idade é reconhecida em todas as atividades”, afirma o colunista.

“No entanto, o ICT (Índice de Capacidade para o Trabalho) indica desempenho similar, isto é, sem diferença, em testes realizados comparando trabalhadores acima dos 50 anos e pessoas abaixo dessa idade, segundo uma pesquisa publicada no periódico Brazilian Journal of Physical Therapy”.

“O estudo “Índice de capacidade para o trabalho e capacidade funcional em trabalhadores mais velhos”, de Rosemeire S. Padula e colaboradores da pós-graduação em fisioterapia da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), aponta que o número de doenças e medicamentos regularmente usados foi maior entre os trabalhadores mais longevos.”

“Entretanto, condições de saúde desfavoráveis parecem não afetar a capacidade deles para o trabalho.”

“Os trabalhadores mais velhos participantes do estudos eram casados, mais escolarizados e tinham maior renda, uma relação direta e positiva para a capacidade de trabalho, asseguram os autores”.

“A explicação: em todas as profissões, aquelas pessoas com mais anos de estudo e maior renda têm experiência profissional mais rica, demonstram melhor desempenho intelectual e também têm melhor saúde”.

“Os mais pobres e menos escolarizados apresentam tendência para maior fragilidade biológica e psicológica `a medida que envelhecem”. (Julio Abramczyk, in Folha de S. Paulo de 01/02/2014).

Perceba os avisos e evite um enfarte fatal

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Por menos que você possa acreditar, quase não existem os chamados enfartes repentinos. Antes disso, nosso corpo tenta nos avisar da possibilidade de um ataque do coração dias, semanas ou até um mês ou dois antes que ele aconteça. Infelizmente, no instante em que reconhecemos que estamos tendo um enfarte, pode ser tarde demais para se evitar a morte ou um dano cardíaco comprometedor.

Os chamados ataques cardíacos silenciosos, precedidos de sinais e sintomas suaves ou pouco relacionados ao coração, são a preocupação principal do médico cardiovascular Chauncy Crandall, que produziu há pouco um vídeo sobre os quatro avisos mais sinistros aos quais todos devem dar a maior atenção.

As estatísticas mostram uma clara ligação entre a demora em socorrer quem tem enfarte e a sua consequente morte ou incapacitação. É por isso que é vital reconhecer o que o coração está tentando nos dizer com seus sinais de alarme, conforme mostra o vídeo do Dr. Crandall (http://w3.newsmax.com/newsletters/crandall/video2.cfm?PROMO_CODE=D141-1).

Apesar de ter sido criado como  uma ferramente instrucional, o vídeo logo se tornou viral, tendo superado mais de cinco milhões de acessos em poucos meses. Uma explicação para tal sucesso é o fato de os enfartes serem familiares aos americanos, que têm neles a causa número um de morte. Só nos Estados Unidos, perto de um milhão de pessoas sofre seu primeiro enfarte a cada ano.

Segundo o Dr. Crandall, estes são os quatro sinais aos quais se deve prestar muita atenção, pois podem prenunciar um enfarte:

1) Dor ou desconforto no peito, em um ou nos dois braços, nas costas, pescoço, mandíbula ou estômago.

2) Náusea e suores.

3) Respiração curta, dor de cabeça, tontura.

4) Indigestão.

Porém, ele adverte: “Você não precisa ser uma vítima inocente de um ataque do coração mortal, pois, na verdade, as doenças cardíacas podem ser evitadas — e mesmo curadas — com boa informação e estilo de vida simples mas saudável.” (Extraído do site AARP)

Só 27% dos idosos trabalham no Brasil

Cerca de 27% dos idosos brasileiros trabalhavam em 2012. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais 2013, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O tempo médio semanal dedicado ao trabalho foi 34,7 horas. O IBGE considera idoso pessoas com 60 anos ou mais.

Naquele ano, a grande maioria (76,3%) desse público recebia benefício da previdência social. A principal fonte do rendimento para a faixa dos que tinham 60 anos foi a aposentadoria ou pensão (66,2%), enquanto, para o grupo de 65 anos ou mais, a participação desta fonte de rendimento representou 74,7%. Cerca de 24% do total de indivíduos pesquisados não recebiam aposentadoria ou pensão, enquanto 7,8% acumulavam aposentadoria e pensão.

Ainda segundo o estudo, 15% das pessoas com 65 anos ou mais de idade não recebiam aposentadoria ou pensão, e 19,4% estavam ocupados, sendo que, do total, 29,6% eram homens e 11,6%, mulheres.

A participação relativa do idoso na força de trabalho do país correspondia a 12,6% da população total no ano passado. A maioria do grupo era feminina (55,7%) e branca (54,5%), e vivia em áreas urbanas (84,3%). O nível médio de instrução do grupo foi de 4,6 anos de estudo.

O IBGE informou também que os idosos, em sua maioria, (64,2%) eram as pessoas de referência no domicílio e 47,8% tinham, de todas as fontes, rendimento superior a um salário mínimo. Porém, cerca de 43,5% do universo pesquisado residiam em domicílios com rendimento mensal per capita igual ou inferior a um salário mínimo. (Extraído da Agência Brasil).

Homens se esquecem e mulheres sempre se lembram

Segundo uma nova e promissora especialidade médica criada nos Estados Unidos, a Medicina de Gênero, há razões específicas e poderosas para explicar por que os homens são tão esquecidos enquanto as mulheres têm excelente memória.

Nas mulheres — apontam tais especialistas — as regiões do cérebro associadas `a memória recebem maior irrigação sanguinea. “Esta é uma das razões apresentadas por pesquisadores para a indubitável evidência de que as mulheres têm muito mais memória, imediata ou remota, do que foi falado”, afirma a Dra. Marianne Legato.  Os altos níveis de estrogênio presentes no organismo feminino, diz ela, também favorecem a memória. Esse hormônio está associado `as habilidades de aprendizado e memorização, e isto ajuda a explicar porque as mulheres se saem melhor do que os homens nessas atividades. O estrogênio, além disso, é elemento chave para a descoberta de que as mulheres gravam melhor do que os homens os acontecimentos estressantes. A razão é simples. O estrogênio não apenas ativa uma área maior de neurônios nas mulheres durante uma experiência desagradável, a indicar uma vivência mais intensa desta, mas também prolonga o tempo no qual é secretado o cortisol, o hormônio do estresse. E ele é o estimulante natural da memória.

Caribe, simpatia e boa vida

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Boa para quem gosta de uma música maliciosa, cheia de requebros e letras dúbias, como o merengue, que se dança de forma muito semelhante à lambada, ou de curtir praias de areia branca e águas de diversos tons de azul e verde. Boa também para quem se interessa pela história deste Novo Mundo e valoriza a simpatia de um povo de bom astral, que recebe muito bem o turista brasileiro. Esta breve descrição, que parece anúncio publicitário, procura definir a República Dominicana, que divide com o pobre Haiti a ilha de Hispaniola, onde primeiro Colombo tocou ao descobrir a América, em 1492.

Quinhentos anos depois, o país descobre o turismo e se candidata a ser mais uma alternativa para quem viaja pelo Caribe mas procura destinos novos, menos explorados e mais econômicos, e exibe seu arsenal de atrativos, que nada ficam a dever ao que os centros mais sofisticados da região oferecem, como lindas praias cercadas de coqueiros, cassinos luxuosos, paisagens inesquecíveis e ritmos deliciosos.
A mútua simpatia que liga brasileiros e dominicanos se estabelece já no primeiro contato, no aeroporto da capital, Santo Domingo, onde os turistas são recebidos por conjuntos musicais típicos e pelos guias turísticos que vão transmitindo com bom humor e simpatia as primeiras informações sobre o país, durante o trajeto de trinta quilômetros que separa o aeroporto do centro da cidade. Lá fora, no asfalto da avenida beira-mar, o estrangeiro se espanta com um tráfego caótico mas inofensivo, onde velhos e superlotados automóveis rabo-de-peixe americanos, em estado de conservação alarmante (não há praticamente transporte coletivo no país), despejam seus passageiros na rua. Dos rádios e toca-fitas em altíssimo volume dos veículos, ganha o mundo o animado ritmo do merengue, como se ali fosse sempre Carnaval. Nos dias seguintes, o turista entenderá que essa agitação é permanente: nenhuma data especial está sendo comemorada.
Violência zero

A alegre energia da cidade está em toda parte, na forte musicalidade da população negra e mestiça que aborda o turista para oferecer cds, cartões postais, visitas guiadas e outros serviços, ou na leveza natural dos motoristas, que não deixam que a falta de sinalização nas ruas provoque discussões ou desentendimentos. Diferentemente do que acontece no Brasil, na República Dominicana a pobreza parece ser democraticamente distribuída entre a população: não se vêem mendigos ou miseráveis, e pode-se caminhar pelas ruas sem temer a violência.
Outra ausência que o visitante notará ao dar os primeiros passos pela cidade é o de uma coleta de lixo competente. A bonita Santo Domingo ainda joga lixo sobre si mesma, a ponto de desestimular o visitante que quer caminhar pelo Malecón, a sofisticada avenida litorânea orlada de coqueiros, onde estão os hotéis mais luxuosos da cidade. Também dificilmente se passa um dia sem que a cidade sofra mais um apagón, black-out provocado pela queda no fornecimento público de energia elétrica.
Em Santo Domingo, a maior parte dos turistas brasileiros fica hospedada no Jaraguá Renaissance Resort, da rede hoteleira Ramada Inn, que é um típico hotel americano no estilo Las Vegas, com cassino, restaurante, boa área verde, piscina e outros equipamentos de lazer distribuídos horizontalmente à beira-mar. Aliás, Santo Domingo inteira cresce na horizontal, desde que o mais recente de uma série de furacões e terremotos que vinham infernizando a vida dos dominicanos quase riscou a cidade do mapa, em 1936.
Jóias arquitetônicas

Plana, espraiada e ensolarada, embora não servida de praias no trecho urbano, Santo Domingo, com exceção de um setor bem delimitado, chamado centro histórico, não parece preocupada em se mostrar “a mais antiga cidade do Novo Mundo”, como de fato é, fundada que foi por Bartolomeu Colón, irmão do descobridor genovês Cristóvão Colombo, em 4 de agosto de 1496. Edifícios públicos modernos, pouco monumentais e que não recuam demasiado no tempo, dão um aspecto despretencioso à parte moderna da cidade – não fossem as três pontes sobre o rio Ozama, que corta a cidade, e que receberam os nomes dos três “pais da pàtria”: Duarte, Sanchez e Mella.
É na antiga cidade murada, que hoje ocupa alguns poucos quarteirões, percorridos tranqüilamente em algumas horas, que se concentra um número de construções de enorme valor arquitetônico e histórico, desde 1990 considerados patrimônio da Humanidade pela Unesco, e que testemunharam os primeiros anos da ocupação européia no novo continente.
O umbigo desse centro histórico – tomado de assalto todos os dias pela babel de turistas estrangeiros que se revezam nos pátios, varandas e corredores das construções – é o <em>Alcazar de Colón</em>, palácio fortificado do vice-rei Diego Colón, filho do almirante, e residência de sua família durante décadas. O palácio, com 22 cômodos, soube equilibrar os estilos espanhol e italiano de sua construção, com amplas varandas dando para o rio Ozama e para a esplanada do que hoje é a Praça de Espanha.
Percorrendo o centro histórico, o turista passará mais de uma vez pelas ruínas das antigas muralhas que cercavam a cidade, pela zona portuária, por ruas antigas mas de grande comércio, como a <em>Calle de las Damas, a Calle El Conde e La Atarazana, bairro de puro estilo espanhol, e por jóias da arquitetura quinhentista, como a Catedral de Santo Domingo, o Palácio dos Governadores, hoje Museu das Casas Reais, a casa de Hernán Cortez, o Panteão Nacional, a Fortaleza Ozama e o primeiro relógio de sol da cidade, entre 300 outros monumentos.
Almirante de pouca sorte

E o que dizer do Colombo original, o navegador, ao personagem por trás de todos esses monumentos? O que se sabe é que, depois de ter feito três viagens ao Novo Mundo e de ter sido passado para trás pelo esperto conterrâneo Américo Vespuccio, que deu seu nome ao continente, o almirante, desacreditado e pobre, morreu em Valladolid, em 20 de maio de 1506. Anos mais tarde, Dona Maria Toledo, sua nora, teria trazido seus restos mortais (e também os de seu filho Diego Colombo) para a Catedral de Santo Domingo. Em 1795, quando, por um acordo firmado entre Espanha e França, metade da ilha Hispaniola foi cedida aos franceses, que ali criaram o Haiti, colonizadores cubanos viram no tratado um risco de que toda a ilha viesse a cair em mãos estrangeiras, e reivindicaram a guarda dos restos do descobridor. Uma expedição foi mandada a Santo Domingo e saqueou a catedral, levando o primeiro caixão que encontrou sob a nave do altar-mór.
Em 1877, durante reformas na catedral, descobriu-se um caixão de chumbo com a inscrição “Ilustre Varão Dom Cristóvão Colombo, Primeiro Almirante da América”, gravada em Valladolid. Apesar da controvérsia com a pátria-mãe, que ainda hoje exibe os restos de Colombo em um belo jazigo na Catedral de Sevilha, a catedral de Santo Domingo afirma ter guardado os restos do mesmo navegador até 1992, quando se inaugurou na cidade, em homenagem aos 500 anos de descobrimento da América, um enorme mausoléu chamado <em>Farol de Colombo</em>, com recursos de todos os países americanos, para onde seus restos foram transferidos. Bem-humorados, os dominicanos, de qualquer forma, dizem que não traz muita sorte falar de Colombo.
Defronte a Porto Rico

A rodovia que separa Santo Domingo do balneário de Punta Cana, o paraíso caribenho do país, atravessa uma extensa planície tomada pelas duas maiores fontes de riqueza do país: a cana-de-acúcar, com capital na cidade de São Pedro de Macoris, e a pecuária, com quartel-general em La Romana.
Para se chegar a Punta Cana ainda é preciso passar por Higuey, centro religioso com sua basílica nacional, e pela pequena Otra Banda, cujas casas de madeira ganham as cores dos partidos políticos em disputa pela presidência da nação. Junto a La Romana está o rio Chavón, em cujas margens cheias de coqueiros e de aspecto oriental o diretor norte-americano Francis Ford Coppola ambientou algumas cenas monumentais de <em>Apocalypse Now</em>.</p>
<p>Punta Cana fica na pouco habitada costa oriental, que olha de frente a vizinha Porto Rico. A linha de coqueiros se perde de vista, por quilômetros, sombreando praias perfeitas, de areia fofa e águas em degradê de azul e verde, quie naquele trecho recebem o nome de Bávaro. O pacote comprado por boa parte dos brasileiros que visita a República Dominicana prevê cinco dias no Meliá Bávaro, resort da cadeia espanhola, onde espaçosos chalés avarandados se espalham por 240 mil metros quadrados de bosques e espelhos d‘água, com flamingos e pavões, ligados à sede do hotel – uma construção bem ventilada – por minicarros de serviço usados para o transporte dos hóspedes.</p>
<p>A população da praia e dos hotéis é 100% estrangeira, predominantemente europeus (alemães em maioria, italianos, franceses), canadenses, americanos, argentinos, despejados dos grandes Boeings que aterrissam semanalmente no aeroporto de Punta Cana.
A “dura rotina” prevê praia o dia inteiro, sob os coqueiros, em confortáveis espreguiçadeiras com direito a serviço de garçons, piscina e esportes náuticos como esqui aquático, windsurf, banana boat e jet-ski, que lá recebe o nome de wave runner. À noite, a diversão fica por conta dos animadores do hotel, já que qualquer outra alternativa de entretenimento fica a bons quilômetros de distância. Mas, como estamos em um país evidentemente musical, uma boa dica é juntar-se aos funcionários do hotel, que, depois de servido o jantar, organizam simpáticos bailes numa agradável praça vizinha. É a melhor maneira de se experimentara simpática realidade de um povo acolhedor e de bem com a vida. (Sebastião Aguiar)

Lições de uma mulher desiludida

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Simone (Lucie-Ernestine-Marie Bertrand) de Beauvoir  – 100 anos (Foto: * starrynight1)s.

Na era das celebridades instantâneas e fugazes (e vazias) não deixa de ser difícil compreender como uma dupla pôde obter a fama e manter-se célebre (com consistência) por mais de 50 anos.Pois foi o caso de Simone de Beauvoir e de seu companheiro, Jean-Paul Sartre. Ela, escritora e ensaísta de peso; ele, escritor, dramaturgo e um dos mais importantes filósofos do século passado.

Do relacionamento entre eles, a história conservou a aura mítica de seus engajamentos políticos e sociais e o protótipo de uma relação sentimental aberta. Companheiros por décadas, Sartre (1905-80) e o Castor, o apelido com que tratava Beauvoir (1908-86), viajaram juntos pelo mundo, mas jamais compartilharam o mesmo teto em Paris, onde viviam.

E, mesmo que um escutasse e solicitasse do outro comentários e avaliações dos próprios escritos, a influência de fato foi afetiva e sentimental. Tal como valia para a vida, a regra “juntos, mas não sob o mesmo teto” aplicava-se com rigor também às respectivas obras.

No caso de Beauvoir, que aqui é o que interessa, sua produção literária e ensaística amplia-se e repercute após a Liberação, com o fim da Segunda Guerra e da ocupação nazista da França.

Seu texto mais difundido, “O Segundo Sexo”, data de 1949. Não muito depois, em 1954, ela é agraciada com o Goncourt (o mais importante prêmio literário francês) por “Os Mandarins”.

Em seus escritos, como de praxe nos representantes do chamado existencialismo francês, vida e obra formam um amálgama.

Não se deve confundir, porém, a incorporação literária de biografemas por esses autores com o exercício da autoficção, hoje difundido numa certa literatura.

Àqueles interessava transmitir, por meio do texto, um “estar no mundo”, uma experiência que passa necessariamente pelo sujeito (que a vive e a expressa para outros sujeitos que prezam a vida do ponto de vista de seus compromissos, dívidas e angústias). Enquanto aos praticantes da modalidade exibicionista da autoficção o mundo não interessa além do próprio umbigo.

As três novelas reunidas no volume “A Mulher Desiludida” tomam a fundo essa prioridade do vivido. Ademais, seus temas incorporam de maneira mais fluida as teses biográficas (no sentido de relativas à vida, não apenas à pessoa) expostas por Simone de Beauvoir em “O Segundo Sexo” e em “A Velhice” (publicado em 1970, dois anos apenas após “A Mulher Desiludida”).

O título da primeira novela, “A Idade da Discrição”, flerta com o célebre romance “A Idade da Razão”, de Sartre. Nela, uma senhora ensaísta dialoga com a vida passada e o cinzento futuro anunciado com a chegada do que hoje se chama “terceira idade”.

O ponto de confluência é a crise: do corpo cansado, da obra superada e da paixão realizada. Mas não se trata de crise que prenuncia a ruína e, sim, de um fracasso capaz de renovar a esperança. Beauvoir resume ambiguamente ao citar a fórmula de Sainte-Beuve: “Endurecemos em alguns lugares, apodrecemos em outros, não amadurecemos nunca”.

Na segunda novela, “Monólogo”, trata-se de uma operação de vingança realizada por meio da escritura. A estrutura é a do fluxo de consciência e, com ele, a pontuação caótica permite vazar sem pudores a fúria de uma anti-heroína que acusa a vida de não tê-la permitido viver. Sublime!

A terceira novela, que dá título ao volume, toma do diário sua forma. E capta, através das grades da prisão subjetiva, o drama de uma mulher abandonada pelo marido por outra. Em sua obsessão, emerge a confissão de uma servidão voluntária, da submissão a ideais femininos que Beauvoir se aprimorou em destruir.

Pois, de “O Segundo Sexo” a “A Cerimônia do Adeus”, o empenho principal de Beauvoir foi o de construir uma nova identidade, sobretudo feminina, mas comum a todos na exigência da liberdade.

Ansiedade sob controle

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Medo e preocupação excessiva, reconhecidos como os sentimentos mais comuns da ansiedade,  assumem aspecto mais grave quando a idade chega.  Para médicos e outros profissionais de saúde, se a ansiedade e o medo podem parecer até normais, dadas as circunstâncias do amadurecimento, o surgimento desses sintomas na fase final da vida não deve ser considerado normal.

Segundo as pesquisas, a ansiedade atinge entre 3% e 14% dos idosos, com maior número entre as mulheres. Por outro lado, a incidência é menor entre adultos de idade mais avançada do que entre adultos mais jovens.

A ansiedade causada por acontecimentos estressantes, como a perda de um ente querido ou mudança ou perda de emprego, faz parte do dia a dia. Mas o transtorno conhecido como ansiedade é diferente. Dura muito mais tempo e pode piorar se não for tratado. Ela normalmente surge simultaneamente a outras doenças. Em adultos idosos costuma acompanhar a depressão, as doenças cardíacas, o diabetes e outros problemas. Em alguns casos, as outras doenças precisam ser tratadas antes que o paciente responda ao tratamento da ansiedade.

Há diversos tipos básicos de ansiedade. Apesar de apresentarem as mesmas características, cada uma é ligeiramente diferente e pede tratamentos também diferentes.

Veja alguns dos diferentes tipos de ansiedade:

  • ansiedade de modo geral
  • fobia social
  • síndrome do pânico
  • estresse pós- traumático
  • transtorno obsessivo-compulsivo
  • fobias específicas.

A ansiedade em geral

Nela o paciente se torna muito preocupado em relação a saúde, dinheiro e problemas de família, mesmo que tudo esteja bem. Ele duvida até de que poderá dar conta das pequenas coisas do dia a dia.

Fobia Social

Na fobia social a pessoa teme ser julgada pelos outros ou se sente constrangida. Ela sente medo de fazer pequenas coisas, como se dirigir ao trabalho, passear ou encontrar os amigos. Pessoas com fobia social quase sempre sabem que não deveriam sentir medo, porém não conseguem se controlar.

Síndrome do pânico

A pessoa sofre ataques repentinos e inexplicáveis de terror. Seu coração dispara. Durante os ataques ela experimenta situações irreais e fantásticas além da sensação de fim iminente e de perda de controle. Os ataques não têm hora para acontecer.

Síndrome de estresse pós-traumático

Esta síndrome se instala após a ocorrência de um evento terrível, como um acidente ou ato de violência. A vítima dessa condição pode ter sido aquela que sofreu o acidente ou ato de violência ou alguém que testemunhou o acontecimento.

Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Pessoas com tanstorno obsessivo-compulsivo sentem a necessidade incontrolável de conferir infinitamente se portas e janelas estão abertas ou fechadas, de medir o número de passos que separam dois pontos que precisa percorrer regularmente, ou têm certos pensamentos, sempre repetidos, ou rotinas extenuantes.

Fobias específicas

São temores intensos de algo que normalmente não oferece qualquer perigo. Algumas das fobias têm com objeto ambientes fechados, alturas, túneis, água, voar, cães, a visão de sangue etc.

Atenção aos problemas de audição

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É comum pessoas não se darem conta de seus problemas de audição, e, por isso, não procurarem um otorrino, ainda que, por causa do problema, se sintam constrangidas diante de um médico, de amigos ou da família. Você, porém, poderá identificar alguma possível dificuldade auditiva se fizer a si mesmo algumas perguntas:

  • É difícil escutar quando estou ao telefone?
  • Não escuto bem o que me dizem quando há um barulho de fundo?
  • Não acompanho bem a conversa quando há duas ou mais pessoas falando ao mesmo tempo?
  • Preciso me esforçar para entender o que me dizem?
  • Muitas pessoas com quem converso parecem murmurar ou enrolar as palavras?
  • Eu confundo o que me perguntam e respondo outra coisa?
  • Peço `as pessoas que repitam o que disseram?
  • É mais difícil entender o que mulheres e crianças dizem?
  • As pessoas se queixam de que o volume da TV está muito alto?

Problemas de audição logo identificados podem melhorar com tratamento médico adequado, como uso de aparelhos, medicamentos ou mesmo cirurgias.

A perda sensoneural súbita, ou surdez repentina, pode surpreender um paciente em apenas três dias, o que pode até configurar uma emergência médica.  Seja em que caso for, o otorrinolaringologista é o profissional capaz de identificar e mensurar sua perda de audição. Ele utilizará um aparelho chamado audiômetro para testar sua capacidade de ouvir sons de diferente natureza e intensidade. Esse especialista avaliará a eventual perda e indicará a ajuda necessária.

Os testes feitos por técnicos são indolores. Esses profissionais não prescreverão medicamentos ou indicarão cirurgias. Um especialista em audição será a pessoa certa para checar a quantas anda sua audição, determinar os recursos a serem empregados, a definir métodos de reabilitação e a indicar ou mesmo proceder `a cirurgia apropriada.

Tudo bem nas estradas

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Os que têm 60 anos ou mais sabem que muita coisa mudou desde o dia em que receberam sua primeira carteira de motorista, há muito tempo. As mudanças incluem os próprios carros, hoje mais leves, seguros e recheados de tecnologia, as leis de trânsito e até as condições das estradas. Muitos sessentões, por isso, trataram de se atualizar: usam religiosamente o cinto de segurança, respeitam os limites de velocidade, não bebem se forem dirigir e evitam viajar com chuva forte ou outra condição natural desfavorável, como neblina ou pouca luz. Veja algumas dicas de segurança que eles observam: # O valor do exercício: todos sabem o bem que o exercício físico faz `a saúde. Mas ele também ajuda a melhorar a flexibilidade e a resiliência dos motoristas de mais idade, segundo pesquisas do Laboratório de Envelhecimento (AgeLab) do reverenciado Massachusetts Institute of Technology (MIT). (continua)