Dois milhões de britânicos submetidos à maior  pesquisa já feita no país sobre o assunto surpreenderam os pesquisadores ao mostrar que gente obesa tem 29% menos probabilidade de sofrer de demência. Os magros? Risco maior.

       Pessoas muito obesas (IMC acima de 40 kg/m2), de fato, têm 29% menos riscos do que pessoas com peso normal. O resultado inesperado está no estudo publicado no jornal The Lancet Diabetes & Endocrinology.

       Os números obtidos no maior estudo já feito para comparar a associação estatística entre Índice de Massa Corporal e risco de demência também mostraram que obesos de meia-idade (IMC acima de 30 kg/m2) são quase 30% menos passíveis de desenvolver demência do que pessoas com peso saudável, contradizendo resultados de achados anteriores, que apontavam que a obesidade causava risco maior de demência.

       Pesquisadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine e da OXON Epidemiology, ambas de Londres (GB), analisaram os dados da Clinical Practice Research Datalink (CPRD), enorme banco de dados formado durante quase 20 anos, representando por volta de 9% da população do país.

       Os pesquisadores analisaram informações médicas de quase dois milhões (1.958,191) de pessoas com média de idade de 55 anos no início do período estudado e índice de massa corporal de 26,5 kg/m2, bem dentro da margem normalmente classificada de pessoas com sobrepeso. Durante follow-ups realizados em média durante nove anos, quase cinquenta mil (45.507) pessoas foram diagnosticadas com demência.

       Pacientes de meia idade abaixo do peso representaram um terço (34%) dos que poderiam ter o diagnóstico de demência, comparados àqueles de peso saudável. E esse aumento do risco de demência perdurou mesmo 15 anos após a medição do peso inicial.

       Aumento do IMC = redução na demência. À medida que o IMC dos participantes de meia idade crescia, o risco de demência decrescia entre os muito obesos. O aumento do IMC foi associado a uma redução substancial do risco de demência nos IMCs de até 25 kg/m2 (considerado como sobrepeso ou obesidade), e essa tendência prosseguiu até IMCs de 35kg/m2 ou mais.

       A associação entre IMC e risco de demência não sofreu variação em razão da década de nascimento do paciente, nem de suas idades ou diagnósticos. E, considerando fatores outros que também aumentam as chances de alguém ter demência, como álcool ou tabaco, estes quase não fizeram diferença nos resultados apresentados.

Reavaliações necessárias. Segundo o autor do estudo, Professor Stuart Pocock, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, “nossos resultados sugerem que médicos, cientistas de saúde pública e dirigentes das políticas de saúde precisam repensar como melhor identificar quem apresenta risco maior de demência. Também precisamos dar mais atenção às causas e consequências existentes entre o pouco peso e o risco maior de demência, estabelecidas por esses estudos”.

       “No entanto, esses resultados também pavimentaram uma intrigante nova avenida na busca por fatores causadores de demência – se nós viermos a entender por que pessoas com IMC alto têm pequeno risco de demência, é possível que mais além os pesquisadores venham a usar tais achados para implementar novos tratamentos para a doença”.