Novos cursos tratam de negócios para o público 50+

Uma das mudanças sociais mais previsíveis na sociedade brasileira, o envelhecimento da população ainda não está no centro das estratégias de negócios das empresas. Muito se fala em diversidade em relação às temáticas de gênero, orientação sexual e etnias, mas pouco sobre a diversidade etária.      Uma das mudanças sociais mais previsíveis na sociedade brasileira, o envelhecimento da população ainda não está no centro das estratégias de negócios das empresas. Muito se fala em diversidade em relação às temáticas de gênero, orientação sexual e etnias, mas pouco sobre a diversidade etária.

      Cinco gerações estão presentes hoje no ambiente de trabalho, desde os baby boomers, entre 57 e 75 anos, até os nascidos nos anos 2000, que beiram 20 ou 21 anos.

      Esse entrelaçamento entre consumo, envelhecimento populacional e cultura organizacional multigeracional virou tema de dois cursos lançados recentemente por escolas de negócios no mercado brasileiro.

      Um deles é o Formação Executiva em Mercado de Longevidade, oferecido pela primeira vez neste ano pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Educação Executiva). A turma inicial, de 26 alunos, está no meio da primeira disciplina, que discute o “oceano prateado”, nomenclatura que tem como referência o termo “oceano azul”, conceito de negócio apresentado em um livro de mesmo nome em 2005 e que se refere a mercados promissores e inexplorados.

      “É um trocadilho com ‘oceano azul’ porque o mercado da longevidade é um mar de oportunidades ainda pouco exploradas”, afirma Patrícia Riccelli Galante de Sá, coordenadora do curso Formação Executiva da Longevidade da FGV. Além de abordar o “mercado prateado”, o programa da escola discute marketing, comunicação e inovação para o público dos 50+, desenvolvimento de produtos e serviços para a faixa etária e como as empresas se preparam para lidar com a intergeracionalidade internamente.

      As disciplinas são ministradas ao longo de quatro meses em 64 horas de aulas que acontecem uma vez por semana. O público-alvo são gestores de diferentes áreas de negócio que querem se capacitar para começar a entender o mercado da longevidade.

      “O consumidor do futuro não é o ‘millennial’”, diz Patrícia. “Então, se a empresa quer preparar produtos e campanhas, além de políticas de RH, vai ter que se capacitar em longevidade, porque ele pede outro jeito de fazer as coisas.”

      Ela dá um exemplo prático. “No marketing, não passa na cabeça de um executivo jovem que há uma limitação cognitiva e motora de leitura de rótulos. Estudos já mostram o que é uma embalagem ‘age friendly’, com letras grandes ou diferenciação por cor.”

      Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 a quantidade de pessoas com mais de 65 anos na população brasileira passará de cerca de 9% para 25,5%. Sendo assim, um em cada quatro brasileiros será idoso em poucas décadas. Em 2034, 15% da população terá mais de 65 anos.

      Na mesma linha do curso da FGV, chega ao mercado em 2021 um programa da ESPM. O Mercado da Longevidade no Topo da Agenda Estratégica terá a coordenação de Juliana Acquarone, especialista no mercado de longevidade, fundadora e diretora executiva da consultoria Mercado Sênior.

      Seu objeto de estudo consiste em como o fenômeno da longevidade impacta as relações entre marcas e consumidores. “Algumas mudanças precisam acontecer nas empresas para se trabalhar o mercado da longevidade de forma efetiva e inclusiva”, afirma Juliana. “Decidimos, então, levar essa temática para os cursos de extensão.”

      O programa da ESPM, que terá oito encontros, um por semana, com duas horas de duração cada, vai abordar quatro grandes temas. O primeiro pilar discutirá o impacto do envelhecimento populacional na parte cultural, demográfica e econômica. “Por entender que o tema é amplo e a mudança é estrutural, não dá para olhar só do ponto de vista econômico”, explica Juliana.

      A segunda temática debate o fato de que as empresas não estão orientando suas estratégias para esse público. “Por que o público sênior não está no centro da estratégia de consumo se ele é o que mais cresce e tem grande potencial?”, questiona a coordenadora, que usa a mesma expressão de Patrícia, da FGV. “É um oceano prateado, um mercado ainda pouco desenvolvido.”

      No terceiro módulo, o curso da ESPM entra no mercado de consumo e de trabalho como pilares interdependentes. “Não existe uma coisa sem a outra”, enfatiza Juliana. “E a intergeracionalidade nas empresas é um desafio.”

      A coordenadora do programa diz que os três primeiros tópicos abrem novas perspectivas e, depois disso, o curso termina olhando para práticas de marketing age friendly. O público-alvo do curso da ESPM são diretores de marketing, comunicação, inovação, trade marketing e de consumer insights de empresas de consumo, varejo e mídia.

      Com uma viés diferente, mas ainda focando no público 50+, a Trevisan Escola de Negócios lança, também em 2021, o curso Digital +. Nesse caso, o foco não são gestores que querem entender o mercado da longevidade. O público-alvo é justamente quem tem mais de 50 anos e quer repensar a própria carreira.

      “Algumas empresas têm a aposentadoria compulsória e, por conta disso, os profissionais passam por uma rotina diferente e esvaziamento de funções quando estão próximos a essa aposentadoria”, diz Renata Bianchi, diretora acadêmica da Trevisan Escola de Negócios. “É algo já conhecido, mas, quando chega o momento, alguns profissionais ficam perdidos sobre o que vai acontecer, por mais que a empresa dê suporte. Ele não sabe como agir.”

      A proposta do curso da Trevisan Escola de Negócios é oferecer ao aluno mentoria e conteúdos atrelados à transformação digital. “Não é para que ele saia dali um desenvolvedor, mas que, se tiver que tomar uma decisão, entenda por que o digital é importante na área que ele está”, diz Renata.

      O programa tem três pilares: mindset, para entender o novo momento da vida, tirando os preconceitos embutidos; conhecimento, que aborda o mundo dos dados, as metodologias ágeis e o marketing digital; e mentoring, que passa por autoconhecimento e o planejamento de carreira para os próximos anos. As primeiras turmas começam em abril de 2021e o curso terá 40 horas ao longo de três semanas.

      Referência quando o assunto é o público sênior, a Maturi nasceu como uma plataforma de empregos para as pessoas com mais de 50 anos e, com o tempo, passou a oferecer também cursos para esse mercado.

      Em julho do ano passado lançou a Maturi Academy, uma plataforma que oferece cursos on-line, artigos e outros conteúdos gravados e ao vivo no formato digital para o público 50+ que busca atualização e capacitação profissional tanto para empregabilidade quanto para empreendedorismo. Há conteúdos gratuitos e pagos.

      Mórris Litvak, CEO da Maturi, diz que a plataforma tem hoje 9 mil pessoas cadastradas, sendo que 2 mil já assistiram algum dos cursos, que passam por tecnologia, empreendedorismo, networking, ferramentas digitais, redes sociais, longevidade, validação de ideias, qualidade de vida, finanças e vendas.

       Cerca de mil pessoas são assinantes pagantes da Maturi Academy. Também no ano passado, em setembro, a Matury lançou o programa Vem 50+, um curso on-line para quem quer empreender nessa faixa etária. Segundo Litvak, cerca de 250 pessoas já fizeram o curso. (do Valor Econômico)

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Author: sebastiaoaguiar

Newsman and Writer My career in Journalism has led me to increasingly specialize in editing and writing for some of Brazil’s major nationwide newspapers and magazines issued from São Paulo and Rio de Janeiro. In about 50 years in the press area, I have been a reporter, a copydesk, editor, senior editor and editor in chief, as well as public relations, press agent, media official to the State of São Paulo and the Federal Goverment, author and ghost writer to officials and other authors. Throughout these years I have been lucky enough to travel to many places, since I was the travel editor for Folha de S. Paulo newspaper for more than three years, and the press chief in Embratur, the federal bureau for the travel industry in Brazil, not to mention many other media vehicles I have worked for.

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