Trabalho senior: será verdade?

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A Folha de S. Paulo publicou, na edição de 9 de fevereiro, matéria assinada pelo repórter Pedro Soares, da sucursal do Rio, segundo a qual o emprego para os mais velhos foi o que mais cresceu no país em 2013.
Segundo o jornal, “aqueles com mais de 60 anos que procuram emprego encontram facilmente”. E que “o total de pessoas ocupadas nesse grupo etário cresceu 6,8% entre o segundo trimestre de 2012 e o mesmo período de 2013. Foi, de longe – escreve a Folha –, a faixa etária que mais avançou: mais de cinco vezes a média (de 1,1% para as outras faixas)”.
Bem, não há como contestar as estatísticas apresentadas pelo PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do Ministério do Trabalho, e citadas pelo jornal. Os motivos para um crescimento tão positivo seriam três: o envelhecimento da mão de obra, a procura por pessoal mais qualificado e experiente e as regras para aposentadoria, que penalizam quem para de trabalhar mais cedo.
Ainda assim, no mesmo período, o contingente de trabalhadores com mais de 60 anos, que representavam antes apenas 21,9% da força de trabalho nacional, avançou para meros 22,3% — índice que, convenhamos, é ainda muito baixo diante do tão propalado envelhecimento da mão de obra do país.
A matéria também não informa que tipo de postos de trabalho foram preenchidos pelos sessentões, mas pode-se imaginar que foram os menos qualificados e com os menores salários – bem na contramão da alegada procura por trabalhadores mais qualificados e experientes, que certamente continuam a encontrar grande dificuldade em furar o bloqueio das empresas.
Estas têm discurso “politicamente correto” para uso institucional, segundo o qual o adulto de mais idade é valorizado por seu conhecimento e responsabilidade, mas,no dia a dia, descartam liminarmente os mesmos candidatos que, segundo a matéria, encontrariam “facilmente” um novo emprego.

Author: sebastiaoaguiar

Newsman and Writer My career in Journalism has led me to increasingly specialize in editing and writing for some of Brazil’s major nationwide newspapers and magazines issued from São Paulo and Rio de Janeiro. In about 50 years in the press area, I have been a reporter, a copydesk, editor, senior editor and editor in chief, as well as public relations, press agent, media official to the State of São Paulo and the Federal Goverment, author and ghost writer to officials and other authors. Throughout these years I have been lucky enough to travel to many places, since I was the travel editor for Folha de S. Paulo newspaper for more than three years, and the press chief in Embratur, the federal bureau for the travel industry in Brazil, not to mention many other media vehicles I have worked for.

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